The Walking Dead: Episode 1 – A New Day

Sr. Artie 10/07/2012 0

Em 2003 era uma HQ intitulada “The Walking Dead”, que logo se tornaria uma das maiores e mais interessantes histórias ao focar nos personagens e não nos zumbis, na ação desenfreada, nos tiros a esmo. Eis que, nove anos depois, chegaria um game baseado no universo dos quadrinhos, produzida pela Telltale Games, que faz jus ao clima da sua contraparte desenhada.

O primeiro episódio, “A New Day”, conta a história de Lee Everett, um novo personagem na história, quando ele em um carro policial, já que ele é um condenado. Porém o carro cai e ele consegue fugir. Quando buscava ajuda em uma casa, encontra uma garotinha chamada Clementine. Lee decide fugir daquele local, mas leva junta a menina para que ela não fique sozinha.

Bom, essa é basicamente a linha inicial da história. O mais interessante do “click and point” é justamente seu roteiro. O primeiro episódio é simples e serve justamente para dar um gostinho de quero mais para o jogador. Há os elementos básicos na história: personagem com passado misterioso que encontra a chance de melhorar quando encontra  uma personagem indefesa ao protegê-la. Há os secundários com características bem definidas: o bom, o mal, o feio, o chato, o legal.

Mas, por mais se que seja simplória, a narrativa é o ponto mais bem desenvolvido do game. Ao focar nos diálogos entre os personagens e as interações que isso acarreta entre você e os outros ao redor, o game ganha contornos mais profundos. Certos momentos e escolhas de frases alteram todo o encaminhamento da história. Se você decide tomar o partido de um lado de uma briga, o outro ficará bravo ou ressentido com você e as ações futuras dele serão influenciadas a partir daquele ponto. Outros games já fizeram isso e muito bem, mas aqui tal opção funciona muito bem, já que a interação entre personagens é o elemento central, onde a tensão e zumbis vivem rondando.

O gameplay se divide em basicamente três momentos. Os diálogos, que dão várias linhas de resposta e que, em momentos mais tensos, de discussão ou conversas mais sérias, apresentam uma linha de tempo para se escolher uma resposta. Não há algo totalmente certo ou totalmente errado, há escolhas. E tal opção de ter um tempo deixa o jogo mais pessoal, uma vez que você se vê fazendo escolhas que talvez fizesse na vida mesmo. O segundo momento é a exploração dos cenários, que em alguns objetos oferecem a opção de visualização e interação. Não são muitos, mas condizem com os locais e situações em que Lee se encontra. Por fim há os puzzles e combates. São os que menos acontecem, mas competentes e bem realizados.

Os gráficos em cel-shading dão um ar mais quadrinhos para o game, o que é um bom acerto. A violência e cenas com zumbis e sangue, mesmo que estilizadas, não poupam o jogador. Não é nada tão gore quanto “Dead Space” ou “Left 4 Dead”, mas ainda assim possuem um pouco de gore. Belos cenários que lembram pinturas, os gráficos também bebem das HQs, que apresentam versões de Glenn e Hersell ligeiramente diferentes daqueles que você vê na série televisiva. Outro ponto positivo é que as expressões são mais marcantes.

Se há um ponto ruim no game é a câmera. Não é possível controla-la, o que gera um problema quando se tem que explorar os cenários. E quase sempre ela fica muito próxima de Lee, o que dificulta visualizar as coisas que o cerca.

Mas tirando esse pequeno detalhe, “The Walking Dead: Episode 1 – A New Day” é uma grata surpresa. Apresenta bem os personagens, que são carismáticos, tem diálogos e cenas de ação interessantes, bons gráficos e o melhor do game, sem dúvida, é a história interativa bem construída, em que ações tem consequências. Um bom episódio 1 (de 5).

 

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